Crê, esta enojada criatura a teu lado mora
Te ilude e cega
Depois que tua alma dilacera
Te consome as forças e te joga fora
É esta vil, cretina, desvairada
Que te acaricia e corta
E te atira, para em pranto entregar-te
Meu caro, não te retardeis
São os que mais confias
Que mostram a língua bipartida
Tomeis cuidado com esta carnificina
Quando nada de ti restar
Facilmente é feita a troca
Retoma o ciclo,espreita
Para efetuar outro sofrimento ao fim da rota.
(Raniere de Carvalho)

Meus loucos pensamentos começaram
Emergem sem tempo de controlar
Bagunçam minha mente, o seu vil lar
Em combate a tudo que dissiparam
À luz das idéias enfurecidas
Alastrando pavor ao raciocínio
Sem se preocupar com seu fascínio
Controlando a aflição das feridas
Ponho tudo no papel, me amenizo
Escoam palavras a deslizar
Suavemente, como a fina bruma
Emudece o verso ao soar do guizo
Uma onda quebra novamente ao mar
Faz-se poesia, e, vês, tudo se apruma
(Raniere de Carvalho e Vitor Fernandes)





